» » Fiocruz defende manutenção de intervalo da vacina AstraZeneca

 Argumento é de que a atual janela entre as doses não compromete velocidade da imunização.

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Direitos Reservados

Enquanto estados e municípios começam a se organizar em prol da redução da janela entre as doses das vacinas contra a covid-19, buscando a proteção completa da população, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu posicionamento defendendo a manutenção do intervalo de doze semanas para o imunizante Oxford/AstraZeneca, produzido pela instituição. A redução pleiteada é de três semanas, justificada sobretudo pela chegada da variante Delta no país, originalmente encontrada na Índia e de transmissibilidade mais alta, combinada com uma chance maior de reinfecção. Ainda assim, a Fiocruz diz que a janela maior no ciclo vacinal não impede a aceleração do Plano Nacional de Imunização (PNI), tampouco deixa o cidadão que recebeu apenas a primeira dose do imunizante vulnerável. “O intervalo considera dados que demonstram uma proteção significativa já com a primeira dose e a produção de uma resposta ainda mais robusta quando aplicado o intervalo maior”, justificou o órgão.

Segundo a Fiocruz, a vacina Oxford/AstraZeneca demonstra efetividade contra todas as variantes em circulação no Brasil, incluindo a Delta, já com a primeira dose. Um estudo feito pela agência de saúde do governo do Reino Unido teria avaliado a eficácia do imunizante contra a variante e constatado um resultado de 71% na primeira dose e 92% na segunda dose, tendo um bom desempenho na prevenção de quadros mais graves e hospitalizações. Outra pesquisa realizada no Canadá reforçaria a hipótese de alta eficácia da primeira dose frente ao tipo Delta: em 88% dos casos, o paciente não precisou passar por internação ou veio a óbito. “A Fiocruz  permanecerá atuando na vigilância das variantes, bem como na produção de estudos de efetividade da vacina e de evidências científicas que possam continuar a subsidiar a estratégia de imunização no país, finalizou.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) emitiu nota técnica em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), quanto ao intervalo entre as doses. Para avaliar a efetividade após uma única dose de vacina é necessário um cenário em que, de fato, as pessoas possam ter sido alvo do risco de exposição por um período suficiente para esta análise. “Este cenário epidemiológico não é possível em países que optaram por intervalos de três a quatro semanas entre as doses, pois neste curto intervalo de tempo as respostas imunes ainda estão sendo construídas, não permitindo uma análise real da efetividade da vacina com a primeira dose”, assinam Renato Kfouri e Marco Aurélio Sáfadi. As entidades representantes das classes médicas afirmam que não parece haver uma diminuição da efetividade da vacina ao longo das semanas, tanto para a produzida pela Pfizer quanto da Oxford/AstraZeneca, de modo que o intervalo atual pode ser mantido sem prejuízos à população, por conta da quantidade de doses disponíveis no país. “A estratégia de intervalo entre doses das vacinas Pfizer e AZ/Oxford por 12 semanas parece correta e permite reduzir a carga de morbimortalidade da doença”.


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