» » Morre o publicitário Duda Mendonça

Foto: Divulgação / TV Clube Paraíba

“A vida foi muito generosa comigo.” Essa era uma das frases que Duda gostava de repetir. E de fato deve ter sido, pois Duda foi dono de uma rica biografia e uma vida cheia de emoções.

Um ser inquieto. Dono de uma energia sem fim que pode até assustar quem está à sua volta. Uma fonte inesgotável de ideias capazes de mudar o rumo das coisas. Duda Mendonça nos deixa, mas mais do que isso, deixa uma marca inconfundível — como ele, certamente sabia e ao mesmo tempo se envaidecia ao ver seus feitos, seus casos e coisas noticiados e seguidos pelo Brasil e pelo mundo.

Duda nasceu em 10 de agosto de 1945, em  Salvador. Filho de Manuel Ignácio de Mendonça Filho, pintor e fundador da Escola de Belas Artes de Salvador, e Regina Cavalcanti de Mendonça, dona de casa. Era o caçula de 3 filhos.

Menino inquieto, como ele mesmo gostava de lembrar, Duda sempre gostou de ser diferente. Se esforçava para se destacar. E com o talento nato e a sensibilidade aguçada para se comunicar de maneira sedutora e convincente, não demorou a deixar de ser José Eduardo e se tornando Duda.

Duda iniciou sua vida profissional como corretor de imóveis. E pela a necessidade de diferenciar os produtos e a maneira que vendia, fazendo fotografias com mais qualidade e criatividade, que descobriu a publicidade. Daí em diante, uma sequência de sucessos digna de uma de suas propagandas de políticos mostrando suas obras.
Foto: Reprodução
Fundador da DM9, que leva suas iniciais e o número ‘9’ como um elemento gráfico, o primeiro grande sucesso de Duda veio da propaganda comercial. Ousado, levou sua pequena agência de Salvador ao pódium máximo da publicidade mundial. Leão de Ouro no Festival de Cannes, na França, com um emocional filme de uma então pequena ótica baiana, Óticas Ernesto.

O sucesso publicidade fez Duda levar o seu gênio criativo para o marketing político. Em 1985, criou a campanha vitoriosa de Mário Kertész para prefeito de Salvador. Um sucesso nas urnas, com uma vitória avassaladora, e na criação — a campanha foi premiada como 'Melhor Campanha Política' do país e já trazia ali o coração como elemento — que depois ainda seria conhecido na campanha que levaria Paulo Maluf à prefeitura de São Paulo em 1992, e que daria à Duda projeção nacional.

Nos anos seguintes, Duda realizou inúmeras campanhas pelo país afora. De deputados à senadores, prefeitos e governadores, é difícil achar um estado no Brasil que não tenha tido uma campanha criada por ele. Celso Pitta, Antonio Britto, Miguel Arraes, Joaquim Roriz, Zé Maranhão, Dante de Oliveira… uma lista que não tem fim.

O sucesso no Brasil, ainda levou Duda à Argentina onde fez campanhas para Menem e Fernando De La Rua. Em 2002, Duda atingiu o feito máximo da sua carreira no marketing político quando foi convidado a liderar a campanha de Lula, que após três tentativas frustradas, tentava chegar à presidência do país. Duda entrou para ganhar... e ganhou. Não só a campanha, mas ainda ainda mais fama. Por um lado, passou a ser reconhecido nas ruas, por outro, se transformou num nome de peso no cenário do marketing político mundial.

Mas como diria o próprio Duda, “Tudo na vida tem seu lado bom e seu lado ruim. O sucesso não é uma exceção”. A vitrine do trabalho impecável também pode virar vidraça.

Em 2005, durante o escândalo do mensalão, Duda se torna alvo de investigações por pagamentos recebidos de serviços de campanha não declarados à receita. Polêmico e destemido, Duda surpreendeu a todos ao se apresentar voluntariamente à CPI dos Correios (Mensalão) em agosto de 2005. Queria defender a sua honra e o seu trabalho. Dizia que se recusava a ser confundido com outros auto-intitulados publicitários que na verdade atuavam tão somente como ‘operador’ de esquemas de pagamento de propina. “Não trabalhei tanto e tão arduamente para ser confundido com picareta”, dizia Duda à época.
Foto: Reprodução
O período foi duro. Passada a euforia inicial de sua coragem e transparência ao relatar as artimanhas econômicas do marketing político diante da plateia de deputados, veio a tempestade. A série de processos judiciais e críticas públicas não passou desapercebida. Nesse mesmo período, Duda sofreu um principio de infarte seguido de cirurgias de ponte de safena. Foi também nesse tempo que começou a perder o gosto pelo marketing político.

A redenção judicial tardaria, mas viria. Em 2012, Duda Mendonça foi absolvido no Supremo Tribunal Federal das denúncias do Mensalão. Um processo iniciado em 2005 — é inegável que uma pena foi paga.
Apesar de conhecido nacional e internacionalmente pela sua atuação no marketing político, a publicidade tradicional também nunca parou. Muito pelo contrário, atravessou fronteiras. 

Duda levou sua agência à Portugal, onde por anos liderou a propaganda da grande empresa varejista local, dona dos supermercados Pingo Doce. A propaganda criativa e de resultados trouxe novos frutos, desta vez em terras ainda mais longínquas e em língua desconhecida — o polonês. 

Duda Mendonça abriu sua agência em Varsóvia, na Polônia — em pleno funcionamento e com grandes resultados até hoje.

Música

O publicitário baiano também fez sucesso na música, fato talvez conhecido por poucos. A canção “Cheiro de Amor”, que começou como um jingle para um cliente seu —  um motel da cidade de Salvador —, se transformou em música de sucesso na voz de nada menos que Maria Betânia. 

Da próxima vez que você ouvir Betânia cantar “De repente fico rindo à toa sem saber porque…”, pode imaginar a voz rouca e sedutora de Duda, apresentando seu jingle para o cliente. "Gênio da criação, ou criações", talvez seja essa a melhor síntese para Duda. Já que além da criação de ideias, Duda também foi um apaixonado criador em outros campos. Dos seus galos de briga, onde era conhecido como Sansão, aos seus super-cavalos de corrida. E, mais recentemente, a criação gado no Pará. Tudo isso, com a mesma marca indelével de ousadia, intuição, grande energia criativa e competitividade.Duda Mendonça deixa 5 filhos, 2 enteados e esposa.Metro1

 

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